Cristais de Cristalina Recebem Reconhecimento do INPI e Impulsionam Turismo Local

Por Por Tarcísio Sá-
3 Min

Cristais de Cristalina Recebem Reconhecimento do INPI e Impulsionam Turismo Local
Foto/Prefeitura de Cristalina

Os renomados cristais de quartzo de Cristalina, em Goiás, alcançaram um marco significativo ao receberem a Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este reconhecimento, que eleva o produto à 138ª IG nacional, consagra a importância econômica e cultural da produção local, prometendo impulsionar o turismo na região.

William Souto, vice-presidente da Associação dos Artesãos de Cristalina, expressou o entusiasmo da comunidade. "Foi uma conquista muito importante para nossos garimpeiros, artesãos e para a nossa cidade. Temos a maior reserva de cristal do mundo, mas ainda não tínhamos um documento que pudesse certificar de forma oficial. Agora, com a indicação de procedência da IG, podemos emitir o selo de origem do nosso Cristal", celebrou Souto.

Capital Goiana dos Cristais e o Potencial Econômico
Em 2024, Cristalina foi oficialmente nomeada a Capital Goiana dos Cristais, um reflexo da relevância do setor para a economia local. A lapidação dos cristais e o turismo associado correspondem a uma fatia de 5% a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, conforme dados do governo local.

Um dos diferenciais do mineral da região é a variação conhecida como cristal lemuriana, caracterizada por uma série de linhas que se assemelham a códigos de barras. Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, ressalta que o reconhecimento do INPI potencializa ainda mais a projeção da região. "Com a IG, Cristalina ganha reconhecimento nacional, podendo atrair mais interessados no produto e incentivando a região a investir na lapidação do cristal e em outras atividades relacionadas, como o turismo", avalia Giesbrecht.

Uma História Lapidada no Tempo
A história dos cristais de Cristalina remonta a 1797, quando bandeirantes paulistas encontraram uma serra rica em cristais de rocha. Contudo, focados na busca por ouro, o mineral não foi inicialmente explorado. Somente em 1879, os franceses Etienne Lepesqueur e Léon Laboissière enviaram amostras para Paris, onde foram comercializadas com sucesso. A pureza e qualidade dos cristais de Cristalina os tornaram matéria-prima para instrumentos de ótica e peças de artesanato que adornavam as casas da burguesia francesa.

Esse período marcou o início de uma nova fase para a região, com trabalhadores e comerciantes formando o Arraial de São Sebastião da Serra dos Cristais, elevado à categoria de município em 1917. A atividade de lapidação e comercialização dos cristais culminou na criação do Mercado do Cristal, um polo de venda de itens produzidos na cidade.

Indicações Geográficas: Valor e Proteção
As Indicações Geográficas (IGs) são ferramentas coletivas cruciais para a valorização de produtos tradicionais vinculados a territórios específicos. Elas desempenham um papel duplo: agregam valor ao produto e, simultaneamente, protegem a região produtora. O sistema de IGs promove não apenas os produtos, mas também sua herança histórico-cultural intransferível.

Essa herança engloba diversos aspectos, como a área de produção definida, a tipicidade do produto, a autenticidade dos métodos de desenvolvimento e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade consistente. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada, como agora ocorre com os cristais de Cristalina.


FONTE: Brasil 61
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