Plano Safra 25/26: Crédito rural empresarial cresce 6% e atinge R$ 316,57 bilhões

Por Por Tarcísio Sá-Maria Clara Abreu
3 Min

Plano Safra 25/26: Crédito rural empresarial cresce 6% e atinge R$ 316,57 bilhões
Foto: Renato Araújo/Agência EBC

Com Selic a 15%, setor prioriza custeio e registra salto de 37% nas Cédulas de Produto Rural (CPR); investimentos e número de contratos apresentam retração. O crédito rural empresarial brasileiro encerrou o primeiro semestre da safra 2025/2026 com um desempenho resiliente, apesar do cenário de juros elevados. Segundo dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), divulgados pelo Banco Central, o volume de contratos somou R$ 316,57 bilhões entre julho de 2025 e janeiro de 2026 — uma expansão de 6% em comparação ao ciclo anterior. Até o momento, R$ 307,11 bilhões já foram efetivamente liberados aos produtores, representando uma alta de 3%. No entanto, o levantamento acende um alerta: o número total de operações caiu 24%, passando de 445 mil para 337 mil contratos, refletindo uma concentração maior de recursos em menos operações e uma postura mais cautelosa do mercado.

A Ascensão da CPR e o Foco no Custeio

O grande destaque do boletim foi a Cédula de Produto Rural (CPR). O mecanismo registrou um crescimento expressivo de 37%, movimentando R$ 143,22 bilhões. Com isso, a participação da CPR no crédito total saltou de 34% para 47%, consolidando-se como a principal ferramenta de captação do produtor moderno.

Essa migração para títulos de mercado ajudou a sustentar o custeio da safra, que recebeu R$ 241,38 bilhões (alta de 10%). De acordo com o Banco Central, o produtor priorizou a manutenção da produção imediata em detrimento de planos de longo prazo.

Desempenho por Finalidade:

Categoria

Volume (R$)

Variação

Custeio e Produção

R$ 241,38 bi

+10%

Industrialização

R$ 19,22 bi

+45%

Comercialização

R$ 20,56 bi

-10%

Investimento

R$ 35,41 bi

-20%

Juros Altos Refreiam Investimentos

Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o apetite por expansão de infraestrutura diminuiu. O crédito para investimentos recuou 20%, embora o Programa de Construção de Armazéns (PCA) tenha demonstrado resiliência, com uma queda de apenas 1%.

Tiago Dahdah, diretor do Ministério da Agricultura (Mapa), avalia que o momento exige equilíbrio. "O foco é preservar o ritmo do custeio e recuperar a capacidade de investimento produtivo. Queremos fortalecer a complementaridade entre fontes controladas e de mercado para que o crédito chegue com segurança ao produtor", afirmou.

Fontes de Recurso: O "Boom" da LCA Controlada

A composição dos recursos revelou mudanças drásticas nas estratégias bancárias:

  • Fontes Controladas: Caíram 7% (R$ 92,26 bilhões). O destaque positivo foi a LCA Controlada, que disparou 4.649%, somando R$ 24,60 bilhões.
  • Fontes Não Controladas: Recuaram 25% (R$ 71,63 bilhões), impactadas pela queda de 33% na LCA Livre.
  • Fundos Constitucionais: O Fundo do Norte (FNO) foi o único com crescimento (+12%), enquanto o FCO (Centro-Oeste) e o FNE (Nordeste) recuaram 6% e 17%, respectivamente.

Entenda as modalidades de crédito

  • Custeio: Financia insumos e despesas do ciclo produtivo.
  • Investimento: Focado em bens de longo prazo, como máquinas e armazéns.
  • Comercialização: Viabiliza a colocação do produto no mercado.
  • Industrialização: Destinado ao beneficiamento e agregação de valor.


FONTE: Brasil 61
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